29.11.10

Paz, por Cristina Arraes


Paz, com a maturidade,
Quão difícil encontrar


Já temos consciência,

Quão duros são os caminhos,
E que nem sempre há compreensão.



Mas a paz quando alcançamos,

Por um momento que seja,
É alimento para alma.



Por isto seguimos,

Por isto estamos aqui,
Por isto, choramos ou rimos.



Não importa quão breve seja,

E que no fundo, nos enganemos.
Mas sabemos desfrutá-la...



Num simples carinho,

num ato impensado, 
E nosso olhar para o mundo.



Paz, tão perto e tão longe,

Sabemos não estar no final,
Mas no caminho que escolhemos.
Cristina Arraes

19.11.10

É difícil



Calar...
A ansiedade
De um coração,
Que teima em sentir
A dor de cada um,
É difícil...

Calar...
A revolta
Contra o preconceito,
Contra a discriminação,
Contra tudo que se impõe,
Ao homem para ser aceito,
É difícil...

Calar 
Meus anseios,
Meus sonhos,
Projetos que tomaram corpo,
No dia a dia de minha vida,
É difícil.

Calar...
Meu espírito que clama
Por liberdade,
Fraternidade,
Idealismo,
É difícil...

Calar...
A sede de Deus
O autoconhecimento,
A essência
E a busca de mim mesma,
É difícil...

Difícil calar o que vai em minha alma, pulsa em meu  coração e é objeto de toda uma vida que não quero deixar passar em branco.

É difícil, extremamente difícil.

14.11.10

Tristeza e alegria



A tristeza a encontrava,
E já se apossava,
Como intrusa,
Em seu coração,
Sempre aberto,
Sempre exposto,
Mas logo chegava
A alegria,
Que era convidada
Por sua alma sonhadora.

As duas lutavam
Pela presença,
E, por vezes,  se alternavam,
Como num acordo mútuo,
Ela então se desconhecia,
E se punha a ficar em silêncio,
Numa angustiada busca
De sua essência.

12.11.10

Brevidade, por Cristina Arraes



Olhar,
Apenas um olhar,
E o momento
Despede-se,
Como se não mais existisse,
Fim e início que se encontram,
Chegada e partida.

E o tempo?
Apenas contagem 
De tantos segundos,
Inexoráveis,
Intocáveis,
Que podem permanecer
No coração humano.

Brevidade,
que se torna 
A única verdade
De vida,
De sentir,
Da tênue percepção.



6.11.10

Nossos filhos


Cristina Arraes



Primeiro nós os temos
Bem junto a nós,
Bem junto ao coração

Quando eles se formam,
Nós os levamos ao mundo.

O primeiro choro,
Não é a primeira emoção
Porque já fez parte de nós,
Já é fruto de nossos sonho.

E de passo em passo,
Cada dia uma conquista,
Cada dia um sorriso,
Cada dia uma lágrima.

E vão...
Caindo e levantando,
Com a certeza de que estamos ali,
Esperando por notícias.

De cada vitória,
De cada derrota.

Não importa,
De igual importância,
Para formá-lo para o mundo.

E de bom grado,
Vemos tornarem-se,
Homens, mulheres,
De pensamento próprio,
Ideologia, juventude.

E nós então,
Os amamos,
Em silêncio.

Cada dia mais,
Cada dia mais nossos.

No rosto,
Nosso rosto.

Nos olhos,
Nossos olhos.

No coração,
A imensa vontade
De experimentar.

E saberem
Que podem retornar,
Podem seguir,
Seremos sempre felizes,
Com seu crescimento,
Com sua felicidade.