31.8.11

Meu silêncio



É madrugada
E ouço meu próprio silêncio,
Minhas vozes,
Numa intimidade,
Própria da solidão,
O dia ainda escuro confunde-me,
Sem entender,
Vejo-me pensando,
Perscrutando o mais íntimo de mim,
Eu e o mundo,
Eu e tudo que fiz,
Minha vida, meus atos,
Minhas relações,
Um tanto egoísta,
Mas por incrível que possa parecer,
Distraem-me de mim mesmo.

30.8.11

Chorei...

Barricuda - Foto de Thiago Moreira Safadi


Chorei...
Um choro sentido,
De busca,
Do sol e da lua.

Chorei...
Por não encontrar
Algo de certo,
Em meio às dúvidas.

Chorei...
Com o dia nascendo,
Tão consciente
De sua certeza.

Chorei...
Com a Lua,
Brincando comigo
De fazer luz.

29.8.11

Vazio



No caminho,
Vários atalhos,
Mas não enxergo,
A noite está escura,
Do coração brota lágrima,
Da dúvida,
Da incerteza,
Sem nada vislumbrar,
Falta tudo 
E não falta nada,
É o vazio,
A atormentar.

28.8.11

Nasceu uma flor




Vivo dias meio complicados,
Saúde, mas nada sério,
E no meio destes dias,
Entre minha irritações,
Eis que surge uma flor,
Recado de Deus?
Pela Natureza,
Uma alegria
Para fazer nascer
O sol em meu coração.

13.8.11

Carta a meu pai, no dia dos Pais

Eu e meu pai, no dia dos meus quinze anos



Antes de tudo, desejaria dizer que deixei as palavras e o coração me guiarem nesta carta a meu pai:

Esperando a casa ficar calma, para que meus sentimentos possam brotar e tomar a forma de palavras mais facilmente. 

Sábado, véspera do dia dos Pais. A gente sabe que o interesse comercial é muito. Mas a gente sabe também, que todos esperando, comemorando, comprando presentes, geram uma energia que nos coloca em contato direto com todos os pais, inclusive você, que não está mais fisicamente entre nós. Volto no tempo, pai, para me aconchegar naquela gostosa proteção que só você soube me dar. Aquela segurança, que nunca mais hei de conhecer, mas que está aqui comigo, intuindo meus pensamentos, minhas opiniões, meus ideais.

Pai, tenho saudades daqueles sábados, que você colocava um disco e a música inebriava o ar de nossa casa. A alegria que sentíamos no seu olhar, de um azul inesquecível. Lembro da limpeza do aquário, onde todos nós nos uníamos para, numa gostosa bagunça, "ajudar".

Sinto hoje uma saudade que quase se personifica, revelando o pai que você foi nesta Terra e a alma que, com certeza, está ajudando quem precisa, como o fazia entre nós.

Lembro da festa dos meus quinze anos, onde dividi com você, nossos familiares e amigos, uma felicidada própria da adolescência, que  tão bem meu pai inesquecível sabia compreender. E o vestibular? Que entusiasmo que sentia a cada vitória minha e o orgulho de dividirmos o gosto pela matemática, que eu cultivo até hoje e que foi o caminho para minha profissão.

Lembro você, chegando do escritório, passos fortes, firmes que me fizeram acreditar que nunca ficaria doente, nunca nos deixaria. O som alegre de sua gargalhada ainda ecoa em minha alma, fazendo-me carinho e enviando-me todo seu amor e proteção.

Enfim, pai, você era feliz e apresentava para nós, uma felicidade genuína, livre de objetos e plena de sentimentos. Hoje, quero lhe parabenizar e agradecer por tudo que você foi, por tudo que você é para nós, seus filhos. 

Ainda hoje nos reunimos e relembramos o dom de sua paternidade. 

Desejo hoje, que você esteja bem e tenha encontrado aquilo que você sempre acreditou. Um Deus amigo, protetor, justo e misericordioso. É neste mesmo Deus que acredito que está em você e que está em mim, está em todos nós.

Neste Deus, entramos em comunhão, convivemos e temos a certeza que você está aqui, bem pertinho de nós também. 

Por fim quero dizer, o tanto  de falta que você nos faz, o tanto de saudade daqueles momentos e que, embora saiba que os dias, o tempo não é mais o mesmo, para você, Feliz dia dos Pais, que a paz esteja sempre com você e que tenha conseguido a plenitude possível.

Saudades, meu pai, muitas saudades.


Aprender a ousar é fazer da vida seu próprio caminho. 

Cristina Arraes







Foto: Cristina Arraes



10.8.11



Sonhos serão minha eterna meta, ainda que não os realize.

Serão estrelas a me orientar.


Cristina Arraes