Escrito por Daniel Moreira Safadi (meu filho)
O sol iluminava o quadro-negro, impedindo que visse o que estava escrito, mas isso não fazia diferença. Não prestava mesmo atenção à aula. Apenas olhava desinteressadamente para o professor, que formava frases desconexas.
Sentia minha pele fria. Não havia levado casaco. Tentava mais uma vez me concentrar na aula, mas algo impedia. Talvez minha revolta. Tentam a todo custo moldar-me para responder o que eles querem. Estou no terceiro ano e para passar no Vestibular não posso ter um estilo próprio. Tenho que mudar meu estilo de acordo com a banca. Tenho que mudar minhas opiniões e valores de acordo com quem vai corrigir. Depende se a banca é mais velha, ou mais jovem... Então sei o que poderei e o que não poderei escrever.
Aprendo fórmulas de matemática, física e química... Expressões vazias, mecânicas para mim.
Filosofia, religião, sociologia, política... Tudo se torna secundário e supérfluo neste ano. Não vale a pena gastar tempo discutindo o que não vai estar numa prova. Não posso perder tempo, tenho que estudar. Não posso me comover com a pobreza dos países africanos, afinal não estão na moda. O que cairá na prova de geografia da UFF terá a ver com as eleições do Iraque, portanto é isso que devo saber.
Tudo é tão ridículo. Mais uma leva de seres pensantes ensinados a se adequar ao sistema, para que possam sobreviver, para que possam ter uma chance. E nem isso é garantido!
Sinto-me estranho... Estou crescendo, a infância está ficando para trás, e isso é assustador. Nada mais será como antes. Cada idade tem seus medos e esse é o medo das pessoas conscientes da minha idade. De repente somos inquiridos a encarar o mundo, sem ao menos saber se vamos conseguir. Não sou imediatista, não somos imediatistas! Penso no futuro, não apenas na graduação, mas depois. O receio de que meus sonhos não se concretizarão, de que o tempo não pára e avança cada vez mais. O receio de que seguirei caminhos diferentes dos meus amigos e que perderei contato com alguns.
Mas isso não importa, afinal, não cai no Vestibular.
Sentia minha pele fria. Não havia levado casaco. Tentava mais uma vez me concentrar na aula, mas algo impedia. Talvez minha revolta. Tentam a todo custo moldar-me para responder o que eles querem. Estou no terceiro ano e para passar no Vestibular não posso ter um estilo próprio. Tenho que mudar meu estilo de acordo com a banca. Tenho que mudar minhas opiniões e valores de acordo com quem vai corrigir. Depende se a banca é mais velha, ou mais jovem... Então sei o que poderei e o que não poderei escrever.
Aprendo fórmulas de matemática, física e química... Expressões vazias, mecânicas para mim.
Filosofia, religião, sociologia, política... Tudo se torna secundário e supérfluo neste ano. Não vale a pena gastar tempo discutindo o que não vai estar numa prova. Não posso perder tempo, tenho que estudar. Não posso me comover com a pobreza dos países africanos, afinal não estão na moda. O que cairá na prova de geografia da UFF terá a ver com as eleições do Iraque, portanto é isso que devo saber.
Tudo é tão ridículo. Mais uma leva de seres pensantes ensinados a se adequar ao sistema, para que possam sobreviver, para que possam ter uma chance. E nem isso é garantido!
Sinto-me estranho... Estou crescendo, a infância está ficando para trás, e isso é assustador. Nada mais será como antes. Cada idade tem seus medos e esse é o medo das pessoas conscientes da minha idade. De repente somos inquiridos a encarar o mundo, sem ao menos saber se vamos conseguir. Não sou imediatista, não somos imediatistas! Penso no futuro, não apenas na graduação, mas depois. O receio de que meus sonhos não se concretizarão, de que o tempo não pára e avança cada vez mais. O receio de que seguirei caminhos diferentes dos meus amigos e que perderei contato com alguns.
Mas isso não importa, afinal, não cai no Vestibular.