25.11.07

A vida é simples


Recuperar a alegria de viver, não é difícil. Mas teimamos em insistir nos velhos sonhos, antigos projetos. E o pior de tudo é que não fazemos planos só para nós. Envolvemos neles as pessoas, geralmente, pessoas muito queridas, que fazem parte de nosso mundo mais íntimo.

Então, um dia a gente entende:
Que a vida é bem mais simples.
Que os projetos de Deus estão sempre acima dos nossos.
Que Ele só acerta.
Que vamos entender tempos depois ou... a gente nunca entende, mas percebe que, de alguma forma, houve um caminho melhor do que aquele idealizado.
Que vivemos por alguma razão, que se está sempre buscando.

E aí a gente se sente tão pequeno que começa a mudar. Transforma o olhar que lançamos ao mundo. E, de repente, ele fica tão mais colorido e tão menos pesado!

E esta sensação vem do fato de que não podemos calcular tudo que vai acontecer. Mas isso não diminui nossa responsabilidade. Devemos tentar ser felizes. Devemos aceitar as limitações, as imposições. Não com um conformismo monótono, mas com a confiança de sermos criaturas, submetidas a uma ordem que só pode vir de Deus.

Diante disto, desce a tarde diante de meus olhos. E estou em paz porque vou sempre tentar, hoje, amanhã... Sempre. É bonito o espetáculo diante de meus olhos, é lindo saber que existe um amanhã.

Desce a tarde diante de meus olhos.. . E sei que não estou só. Sinto saudades de quem distante está. Mas meu coração está aberto para colaborar com a felicidade de companheiros da mesma jornada.

A vida é simples, nós que a complicamos.

14.11.07

Coração aberto

Sou alguém que oscila. Fico entre a alegria e a tristeza. E a saudade sempre me machuca. Sei que não posso viver no passado. Mas não posso impedir de lembrar... E uma falta doída insiste, insiste...

Lembro das tarde no apartamento de minha família. A cozinha amarela, uma mesa, o almoço, o convívio tão agradável. Sinto algo então, lá dentro, sinto que cheguei lá no fundo de minha alma.

Hoje, a alegria de ontem é substituída pela falta, pelo que não foi dito e choro...

Mãe, quanta falta vc me faz. Não sei porque, este final de tarde, lembrei...

Era uma sexta-feira, saí do trabalho para lá. E era tanta gente, tanta confusão e um quê de alegria, de volta a casa paterna, de estar em meu grupo, de intimidade com minhas origens.

Era sábado e meu pai ria... Aquelas gargalhada que só ele sabia dar, que ecoam em meu coração. Contava casos, fatos que alegravam nossas reuniões.

Era domingo e todos nós na pizzaria, uma algazarra, um aroma de felicidade.

Os passeios por Copacabana, as compras de balas e chocolates na Kopenhagen.

As brigas, as dicussões, os abraços, os beijos, os jantares, tudo se constitui em tesouros.

Ah! Quanta saudade. As lágrimas correm, soltam, liberando a angústia que aperta meu peito.

Nem sei se é o momento certo para tal desabafo. Um momento de felicidade, um site nascendo, um caminho... Talvez seja esta a razão.

Momento de realização e sinto um vazio... Alguém que está faltando.

4.11.07

DEPOIS DE SER MÃE


Depois de ser mãe, entrei em contato com a beleza das coisas simples. No meu colo, um pequeno ser se comprimia em busca de calor e alimentação. Eu era, para ele, seu mundo e ele era para mim a escola do amor.
Depois de ser mãe, eu aprendi a rejeitar o que, até então, me dava imenso prazer. Quando estava distante, olhava para o relógio, para que o tempo corresse e eu pudesse novamente aconchegar o meu bebê.
Depois de ser mãe, conheci a preocupação e ela passou a fazer parte de meus pensamentos, esquecendo-me até mesmo de mim. Tive que fazer um grandioso esforço para poder tomar-me de novo em afeto. Mas até isto, teve como causa primeira, a independência, gradual, mas crescente, que se fazia necessária no momento.
Depois de ser mãe, senti o orgulho de me ver co-autora de uma criatura, que sabia vir de Deus, e que teria sua missão neste mundo. Desconhecia qual era e, em meus sonhos, desejava o máximo. Almejava algo extraordinário, digno dos grandes personagens. Conheci, enfim, a loucura de ser mãe.
Depois de ser mãe, já podia me comunicar, sem dizer uma palavra e também entender um choro, um sorriso, um olhar. Era o diálogo do entendimento, límpido, certo, cristalino e sem máscaras.
Depois de ser mãe, senti o peso da responsabilidade, sabendo que tudo que fizesse ou dissesse, haveria de ser um exemplo, um paradigma. Senti o futuro tocar em minhas mãos e em meu coração.
Depois de ser mãe aprendi a renunciar a tudo em prol daquele que gerara. Nada era mais importante, nada era mais urgente. Seguia seus passos, de longe, dando-lhe a liberdade almejada, dentro de certos domínios.
Depois de ser mãe, senti meu coração arder, por um gesto apenas, um olhar, um sorriso, um abraço. E no retorno ao lar, após um dia de trabalho, era isto tudo que aspirava.
Depois de ser mãe, eu desejei agir, mas nem sempre o fazia, deixando o pequeno ser arriscar. E quão amargo é cada queda, mas sempre compreendia a importância do crescimento e ele não acontecia sem frustrações.
Depois de ser mãe, fiz mais projetos, que não finalizavam simplesmente em mim, mas incluía aqueles que gerei. Era como um pintor, diante de sua obra, a decidir seu destino.
Depois de ser mãe, também aprendi a recuar, a me reinventar, a acordar de sonhos, para moldá-los segundo a realidade. E entendi que filhos são como palavras, colocadas no mundo, têm seu tempo, têm seu lugar e formulam pensamentos. Filhos também têm projetos, nem sempre semelhantes aos nossos. Nada é igual. Tudo está entre o antes e o após ser mãe. Às vezes nem eu me reconheço. Sou outra mulher.
Depois de ser mãe, ainda me supreendo. Mas é uma doce surpresa, uma alegria, uma tristeza, uma ansiedade, uma doçura, o tudo e o nada na maravilhosa experiência de ser mãe.