31.8.09

Herança Bendita - Vânia Moreira Diniz


Creio que nesse momento e dias de introspecção só Deus esteve comigo. Meu coração precisava do conforto e sentir que eu poderia seguir em frente certa que minha mão dada aos meus irmãos de caminhada estava sendo forte e confortadora.

Estou num trabalho que minha alma identifica desde os seis anos de idade .Mas reconheci que para prestar socorro aos companheiros de estrada precisava inicialmente me encontrar no dia a dia e poder sentir que estava bem. Sem isso poderia atrapalhar os passos de meus irmãos o que me traria uma dor imensa e inconsolável.

Percorri estradas e andei silenciosamente pelos meandros de minha alma, apreciando a beleza da natureza que sempre amei. Mas desta vez com um entusiasmo incomensurável que a força da maturidade me transmitia.

Olhando sem ver, ouvindo sem escutar, andando sem sentir, contemplando sem a consciência exata que poderia conferir opiniões que no momento eu não queria dar. Desejava apenas apreciar e experimentar dentro do meu coração as batidas fortes e vigorosas que me levariam a decisões importantes no caminhar apressado da vida.

As recordações passadas e presentes eram muitas e me via pequenina diante da magnitude do universo pleno e exuberante. Esta sensação me dava a tranqüilidade para que eu esperasse até que a onipotência do Senhor do Universo me sussurrasse as palavras que eu precisava ouvir.

As árvores que eu admirava estavam viçosas, as flores coloridas e gentis extremamente aveludadas. Os pássaros voavam em bando usufruindo a liberdade essencial e verdadeira que só eles podem sentir, sabendo que seu espaço não influi nem atrapalha a de seu companheiro.

Absorvi profundamente a verdadeira diferença existente entre o altruísmo dos componentes da natureza e o ser humano que é generosamente recebido como hóspede provisório quando sente pela primeira vez o oxigênio para que possa se manter nesse mundo que ele está galgando sem conhecer a razão intrínseca.

Nós somos tão hóspedes que precisamos de vaidades frágeis, títulos neutros e sem substância, verdades incoerentes, elogios constantes para nos equilibrarmos quando devíamos aspirar a felicidade com a fé dos grandes vôos.

Tudo isso passava pela minha cabeça sem que eu tivesse certeza de quem me inspirava, apenas era levada por uma energia envolvente e profunda. Uma energia tranqüilizadora e verdadeira. Como se algo tivesse amenizado as feridas e realçado o bem-estar e a felicidade que me dominavam.

Tenho certeza que aqui, neste planeta que precisamos urgentemente preservar sem teorias e com amor, não existe o “eu” mas simplesmente o “nós” para que possamos prosseguir sem obstáculos e compreendendo que o espaço é único e vasto não importa quantos os sobrevoam.

Vim, retornei de um grande vôo e compreendi a importância da paz que sinto nesse instante e a certeza da união e da solidariedade no sentido mais amplo e verdadeiro.
Mesmo que hajam rivalidades, disputas, egoísmos, invejas, soberbas a união e paz estarão sempre mais densas e vitoriosas no caminho que estamos percorrendo e sei que aos poucos todos nós compreenderemos essa verdade que será a herança das futuras e mais conscientes gerações. Herança Bendita!



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Vânia Moreira Diniz

29.8.09

Homenagem de minha irmã Vânia:Soneto para minha mana Cristina



Escrito por Vânia Moreira Diniz

Eu te sinto em cada momento de minha vida,
Desde que nasceste, intensamente te amei,
Observando-te e olhando-te, cândida e linda
Desde que respiraste o oxigênio eu te amei.

Sei que me reconheceste no primeiro instante,
Quando aspiravas trêmula a vida, ainda insegura,
Sabíamos que seguiríamos unidas e presentes,
Na estrada da vida que percorreríamos unidas.

Jamais esquecerei aquele momento fascinante,
em que nos olhávamos trêmulas e encantadas,
No teu especial momento mágico e exuberante.

Viajei no espaço de minha imaginação atordoada,
Enquanto sentia no meu coração a tua alma,
E teu suave rostinho contemplava docemente.

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Vania Moreira Diniz

23.8.09

Pelo que não escrevo



Escrito pelo poeta Daniel Moreira Safadi

Não escrevo o que dispara uma gostosa gargalhada, um sutil sorriso, algumas poucas lágrimas ou prantos inacabáveis. Principalmente não escrevo sobre as lágrimas e os prantos, por dois simples motivos. Não imagine, por favor, que seja pela dor que causam ou que causaram, pela triste lembrança... Absolutamente!

O primeiro motivo é mais do que simples: faltam-me as palavras, faltar-me-iam as palavras. Assim como os momentos de imensa alegria, nos quais não se cabe em si próprio. As palavras fogem, o dicionário parece uma coletânea de palavras insuficiente, falhas, inúteis. Sinônimos não ajudam, antônimos muitos menos. Expressões, ditados, tudo... Ainda que se chegue perto, nada consegue!

Em segundo lugar é um estranho ciúme. Ainda que tais momentos de tristeza tenham sido muito dolorosos, e ou muito tenham perturbado, ocorreram por causa de alguém querido, alguém amado, provocaram mil pensamentos, me modificaram imensamente, me fortaleceram. Colocá-los em palavras – tirando o fato de ser impossível, como exposto acima – seria, de certa forma, tirá-los de mim, arrancá-los do meu peito e nunca mais senti-los da mesma forma.

A tristeza, a tão renegada tristeza, tem grande parcela de culpa no que sou hoje, na força que tenho, no meu modo de ser, agir e pensar. Escrever para transferi-la um pouco seria tentar modificar-me por inteiro.

Não sou melancólico, muito pelo contrário, apenas gosto, e não abro mão, de reconhecer o valor de cada momento, de cada pressão no peito, seja ela de imensa alegria ou imensa tristeza.

Daniel Moreira Safadi<//a></ a=""><//></ a=""><//></><//></ a=""><//></><//></><//></><//>

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Pelo qeu não escrever by Daniel Moreira Safadi is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

19.8.09

Como lutar



Talvez esta seja uma palavra forte demais. Talvez alguns pensem assim. Mas, a considerar todos os problemas daqueles inseridos em grupos atingidos por discriminação, considero ser a mais adequada. Passada então esta primeira etapa do raciocínio, vamos adiante.

Como lutar? Ou seria melhor com quem lutar? Acho que sim. Pensemos com quem lutar. E para isto, devemos analisar o comportamento das pessoas que sofrem preconceitos das mais diversas formas.

Juntam-se em grupos de ajuda com finalidades diferentes. Uns se refugiam junto a seus iguais. Outros unem forças para militância. Tudo muito bem. É ótimo que as pessoas se juntem, unam forças, para que possam lutar por seu lugar ao mundo. E vão surgindo cada vez mais, grupo e mais grupos. Os integrantes aproveitando suas próprias potencialidades para se adequar em que tipo de grupo se inserir.

Mas será que devemos nos unir apenas aos nossos iguais? Acho que não, se é uma integração que se busca. Critica-se outras pessoas justamente porque discriminam aqueles que se consideram “normais” ou “dentro dos padrões” e, na luta contra esta forma de viver, obedecemos aos esquemas que estes nos impõem.

Pensemos mais adiante, em quantos grupos são discriminados. E se unirmos forças, formando um universo diverso, que deve ser o sonho de todo ser humano? Acho que talvez chegássemos até a maioria. Que beleza de chegada! Um mundo diverso! Um mundo que se compreende e que olha para as diferenças, um do outro. E não precisa ser diferenças similares, em blocos, como se fôssemos planejados em série. Cada ser é único!. Um mundo pleno, como deve ser.

E prosseguindo nesta reflexão, podemos dizer que é esta a forma de luta. Vejo muitas pessoas sofrendo, atingidos por injustiças, clamando por seu lugar, por deixar sua natureza livre, sua forma de ser desabrochar, sem culpas, dores ou complexos. Vamos então rever nossas forma de lutar, unir diferenças, num entendimento mútuo. Não se chega a lugar nenhum, quando se está preso em seu próprio casulo.
Pensar desta forma: Eu sofro, mas e meu companheiro de caminhada? Talvez esteja com feridas ainda mais profundas, incapaz de olhar para fora, incapaz de reconhecer uma outra necessidade.

Desejo apenas que fique esta mensagem: Estamos lutando certo? Como lutar? Com quem lutar?



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4.8.09

Preconceito contra a mulher



Sábado no Rio de janeiro. O tempo tem estado chuvoso, mas neste dia, o sol veio me acordar com a um convite a apreciar a manhã que se derramava sobre a cidade.

Bem, sem pretensões saí para dar uma caminhada, apreciando quão bela a Natureza pode se apresentar. Contemplei o céu azul, as pessoas que iam e vinham, as crianças no parque. Enfim que belo dia para se ter noção da presença de Deus, para lutar por justiça.

Quando já vinha para casa, entrei na farmácia para umas compras corriqueiras. Encontrei uma conhecida que reclamava do tamanho da loja em relação ao número de funcionários. Concordei. Ela resolveu ir ao gerente, deixar claro sua opinião.

Quão bela pode ser a Natureza, já afirmei. Mas às vezes não! O homem faz parte da Natureza e a mulher também. Mas não é isso que observei naquele recinto. Estava já no caixa,quando um cidadão começou a comentar, referindo-se à justa reclamação que era feita naquele momento: "Vai procurar um tanque, vai arrumar um namorado", falava em relação à minha conhecida.

Fiquei perplexa e envergonhada de saber que ainda há este tipo de preconceito, que coloca a mulher numa condição de ser feita apenas para trabalhos domésticos e precisando de um homem que possa lhe dar sentido a vida.

Aquilo me revoltou de tal forma que tive que me expressar. Mas aquele homem já tinha saído. Incrívelmente, constatei que o gerente e a funcionária da caixa, sorridentes, pareciam concordar com ele.

Coloquei como pude minha revolta. Ponderei na alta dose de preconceito ali expressada. Então não se vê o trabalho do dia a dia das mulheres, da independência e criativide com que administram suas vidas?

Infelizmente isto ainda existe e é triste.

Lamento, lamento profundamente.