25.9.09

Bíblia

Já ouvi muitas pessoas falarem de momentos de solidão. Cada um tem sua descrição, cada um tem sua vivência, mas é difícil quem ainda não o experimentou. Estou num destes momentos. Por que? Escrever é um ato solitário. Sento-me a frente do computador, a tela branca me convidando a uma nova criação. A responsabilidade aumenta. E se não puder criar nada? Recuso o pensamento, isto não vai acontecer. Começo a divagar. Palavras soltas, acontecimentos recentes, pessoas que encontro recentemente, tudo habita meus pensamentos. É uma boa solidão, a solidão da dúvida, da escolha, da busca, das reflexões. Às vezes demora, mas sempre encontro um caminho.




Palavra... achei! A Bíblia, mês de setembro! Não sei se é muito conhecido isto, mas entre os católicos, tenho certeza que sim. Este é o mês da Bíblia. Acho então interessante pensar sobre esta obra, tão difundida, não como valor literário, mas como luz de nossas vidas.



Palavra, é esta a chave. A palavra de Deus se faz orientação, guia meus atos, é presença certa sempre perto de mim. Não sei se ela é mais valiosa na alegria ou na tristeza. Sempre me faz bem. Traz-me a presença de Deus. É como um fio, fino, discreto mas de extraordinária resistência. E este fio me liga a meu criador, ao Deus do amor incompreensível.



Todos os dias, está lá, bem próximo, sobre a velha mesa de cabeceira. Mas fechada, não me diz nada. Tenho que ter vontade, é como se fosse uma porta, com fechadura por dentro. Tenho que abri-la. E todas as manhãs abro a Bíblia, para encontrar o Pai que toma conta de todos. Há sempre uma boa mensagem, nos momentos certos, respostas para minhas dúvida.



Em minha Bíblia anoto meus temores, minhas preocupações, é algo delicado, o espaço de intimidade com Deus. Sinto-O mais próximo, são orações antigas, salmos de um povo que perseverou. São cartas de orientação de quem conviveu ou esteve bem próximo de Cristo. Ali está escrito a história que nem sempre se faz bonita, mas muito verdadeira. História de pessoas que foram tocadas pelo chamado divino, pessoas que resistiram, que fizeram de sua vida um exemplo. Outras resistiram, tentaram fugir, erraram, choraram, arrependeram-se. É a história da humanidade. Ali está um amor sem limites, um Deus que não desiste, que me procura e me faz me sentir amada.



Este é o mês da Bíblia. Por que não começar, por que não perseverar? Este é um convite. Abra a Bíblia, leia, pense, procure deixar as palavras, muito mais que ocupar seus pensamentos, penetrar seu coração. Vale a pena!

Comemorando a vida - Por Vânia Moreira Diniz

Acordei com uma tênue luz a iluminar meu quarto completamente na penumbra. Gosto de dormir na escuridão total. E portanto à noite, nas madrugadas, quando me encaminho para o quarto tonta já de sono encontro no escuro paz e relaxamento.

Nessa hora senti a claridade num fio insignificante da cortina.E lentamente, os olhos ainda fechados e procurando o sono que queria me deixar, vi de relance uma figura esguia que só costumava vislumbrar na minha adolescência.

Foi tudo muito rápido e não pude curtir os pensamentos que deviam acompanhar essa aparição estranha.Lembrei-me então dos momentos de nossa infância e adolescência, as brincadeiras infantis, os arrebatamentos que nos acompanhavam e até mesmo os perigos que rondavam e que era motivo de risos e alegria.

Impressionada com a força daquele pensamento que me fez ver alguém que já há muito se fora em plena mocidade, perguntava-me o porquê daquela impressão estranha. Jamais acreditei em aparição de espíritos e por isso sabia que talvez devesse ter sonhado com minha predileta amiga de infância.

Aproveitei, para deitada ainda recordar os dias magníficos, os passeios na avenida atlântica, a praia ali em frente, e a torcida para que acabássemos os deveres escolares e pudéssemos nos tostar ao sol do posto 6 , as ondas que nos jogavam longe, nossos corpos seminus molhados e agradavelmente aquecidos, depois enquanto tomávamos sorvetes  procurávamos bem ao lado alguém vendendo cachorro-quente.

Nas férias, os passeios, as viagens, campeonatos de patins, o violão nas reuniões de nossa turma, nossa vozes a entoar cantigas e músicas que ardiam o coração, os filmes em sucessão na Avenida Copacabana , o teatro, as danças, brincadeiras de transformação, as caronas escondidas dos pais nas motos dos rapazinhos, e o castigo quando éramos descobertas, o Jornalzinho que elaborávamos cheias de garra, as notícias que preparávamos prontas a motivar todos que lessem, os livros que trocávamos e procurávamos sempre delirante de curiosidade.

Minha amiga morreu garota deixando no ar a força de sua amizade, seu bom-humor permanente e aquele brilho que resplandecia quando ela aparecia em qualquer lugar.

Hoje minha memória a captou, e recordando-me agora lembro que hoje seria o dia de seu aniversário, comemorado sempre em explosões de animação e felicidade.

Acordei com dor de cabeça, entristecida pela lembrança saudosa e agora nesse minuto tomo consciência de que devo me alegrar porque ela estaria aqui falando, exigindo sorrisos, estimulando entusiasmos, instigando a sedução dessas horas, gargalhando naquele modo natural, os olhos bonitos brilhando sempre como se refletissem uma luz que jamais se extinguiria em nenhum momento da vida.

Seu aniversário era fim de setembro e como o meu era em outubro fazíamos duas festas lindas e como ela dizia: “Precisamos comemorar a vida!” Com que terna exuberância fazíamos todo mundo rir, nesse período que nos fascinava em descobertas e loucuras mil, aturdidas e inebriadas.

Vou comemorar a vida que ela deixou quase com alegria oferecendo seu meigo sorriso e entendendo que chegara sua hora, embora cedo demais.

Quero hoje, agora e nesses meses de setembro e outubro comemorar a vida!

Vânia Moreira Diniz

20.9.09

Na ponta do lápis


Às vezes, é preciso nos refazermos. Olha-se para um lado, olha-se para o outro e é um vazio só. Mas são momentos, não mais que momentos. E a gente escuta uma voz, amiga, amada, que diz estar com você. E então, você começa a reconstruir seu eu, cheia de esperança. E confiando em quem está à sua volta.Longe ou perto. Mas perto do coração. E é algo que não dá para explicar. Mas a gente sente, que tem pessoas que estão com a gente e e que se pode contar. Aí o mundo se transforma. Na ponta do lápis, surge uma nova mulher.

4.9.09

Brasil

Brasil
Cristina Arraes Moreira

Eu amo sim,
Este país cheio de diferenças,
De distantes lugares.

Que Brasil desejamos para nós?
E para nossos filhos, nossos irmãos?
Um Brasil todo dividido?
Onde não se encontra a identidade de coração?

Quero um país,
Em que as dificuldades sejam respeitadas
As diferenças valorizadas
Os negros e os brancos
Numa completa miscigenação

Quero um país,
Onde se tenha a liberdade ,
De ser genuinamente sua realidade,
Onde a essência se sobreponha a imposição
De uma sociedade nem sempre justa.

Quero o Brasil
E o amo de todo coração,
Precisando fazer dele,
A terra de todos nós.