30.10.07

Recomeço


Recomeço é uma das riquezas da vida, uma concessão de nosso Criador. E é tão bom saber que se tem novas chances. É um novo dia que nasce, uma nova esperança que chega, um novo amor que desperta, uma criança que chega ao mundo.

Recomeços menores, uma nova hora, um novo espaço, uma nova idéia, um novo projeto. Há também recomeços na repetição, nada de novo, mais uma forma diferente de encarar o mundo.

São as férias que começam. São as férias que terminam. Despeço-me da alegria de me entregar ao lazer, quase completamente. Despeço-me da casa de minha irmã, com o desejo de retornar. Depeço-me deste gostinho de horas minhas, quando tudo é entregue à minha vontade. Bom estar com meus filhos, divertir-me com eles, muito bom e ter o dia inteirinho para isto.

Lembro-me pequena, como ficava triste na véspera do primeirio dia de aula. Meu coração infantil doía ao saber que tinha que me afastar de minha mãe. Às vezes abafava este sentimento, achando-me ridícula. Mas esta recordação agora, me enche a alma de ternura e do amor sentido, quando ainda nem tinha consciência de existir.

A saudade me invade neste momento, pensando em minha mãe que já se foi. Como queria vê-la, dar-lhe as mãos, sentir sua presença. Que mundo vazio, este, sem minha mãe. Para isto, não há recomeço. Apenas aquela angústia do desejo contido, desejo de conversar, amar, partilhar, sentir-se filha, também filha. Esta óportunidade se foi com o falecimento de minha mãe. Não sou mais filha, sou alguém que caminha, confiante em Deus protetor, acreditando que Ele a recebeu com miserícórdia infinita.

Recomeço... Bom valorizar cada momento que me traz de volta uma nova chance de continuar. A noite está quente e do meu quarto levanto uma prece a Deus. Que envolva sempre o mundo, numa onda de fraternidade. E, que ao sair de casa amanhã, encontre a paz, a Luz e o ânimo de continuar.

Que Deus ilumine a todos e acompanhe os passos de cada um. Peço um bom recomeço.

28.10.07

De volta ao Rio de Janeiro

Foram dia bons, muito lindos e coroados de muito carinho e emoção. Enfim, chega o dia de voltar. E então, há uma confusão de sentimentos. No coração ansiedade por rever quem não me acompanhou nestes dias, pessoas amadas, de quem sinto tanta falta quando me separo. Mas também sinto saudades das pessoas que, dessa vez, vou me separar.

Dias vividos, sentidos, troca de segredos, coração a mostra, partilha, convivência, o velho prazer de dividir minha horas com minha irmã. Muito bom...

Dia do retorno. Dia carregado de emoção, abraço minha irmã, com força, desejando deixar um pouquinho de mim, trazendo dela, um pouco de seu coração. Retorno. Abraço meus filhos, como é bom senti-los ao peito, pertinho, repirando o mesmo ar, contando novidades, retornando ao dia a dia, rostos de paixão, feições de carinho, amor transbordando nesta relação.

Queremos mais da vida, todos juntos, todos unidos, um só espaço, um só coração...

E vamos vivendo, aqui, com saudade dali... Ali com saudades daqui... Emoção tomando conta da alma, fazendo-nos mais fortes e mais humanos. Entrando em contato com a saudade, que incomoda, mas denuncia a presença de amor em plena essência.

8.10.07

Desabafo

Maria Cristina Moreira Safadi

Acordo para mais um dia. O céu está nublado. Pesadas nuvens se acumulam no céu, impedindo-me de ver sua cor, que tanto me fascina. Isto interfere em meu ânimo. Procuro organizar meus pensamentos que uma noite de sono embaralhou.

Pouco a pouco vou recobrando a consciência. Uma semana se inicia. Não tão igula às outras. Esta é uma semana mais curta. Temos o dia de Nossa Senhora Aparecida. Isto me traz paz, uma harmonia com o mundo.

Mãe de Jesus. Que bom poder contar com sua intercessão. Penso em minha mãe. E a sinto tão longe... Quisera poder tocá-la, falar-lhe de meu amor, saber que está neste mundo. Poder telefonar para ela, ouvir sua voz do outro lado, oi minha filha...

Como sinto saudades desta expressão e de tantas outras, das quais, na época, não sabia da importância. Ter mãe. Faz toda a diferença do mundo. De repente sinto um vazio muito grande. Necessidade de falar com ela. Saudades, eco de um amor que ficou sem resposta.

Mas levanto. Tomo coragem para meu dia a dia. E lentamente vou executando as tarefas. Sem muito pensar. Saio para mais um dia de trabalho, carregando comigo, aquilo que sempre me acompanha. Velhos complexos sem sentido e que se tornam, de repente, um nada. Vem a disposição para enfrentá-los. Não sabia que seria tão fácil.

A gente complica muito. Constrói umas paredes enormes. E fica isolada. Salta aos meus olhos a velha vaidade feminina. Lembro um dia, que minha mãe estava tão junto de mim, premiando-me com a realização dos primeiros sonhos de uma alma feminina, que apenas desabrochava.

Minha mãe, disseram que o tempo é o melhor remédio. Não concordo. A cho que a fé, sim, me mostrará que está perto de mim, assim como de meus irmãos. Velha agonia que se repete, invariavelmente.

E a tão desejada liberdade, com a qual já não sei o que fazer. Coração machucado, saudoso, triste. Faz-me sentir sua presença, a insegurança dos últimos tempos. O que faltou dizer ou fazer me pesa como chumbo.

Dou um suspiro, tirando lá de dentro de mim, toda força que Deus me dá. E vou em frente. Penso que dias bons virão. Confio na alegria que se faz presente embora a vida não seja só sorrisos. Aceito.

Sim, é tudo que posso.

Saudade, fé, disposição e a firme intenção de continuar.

7.10.07

Fim de domingo

Maria Cristina Moreira Safadi

Fim de domingo... As pessoas se preparam para retomar suas atividades do dia a dia. No ar, fica um quê de saudade das horas vividas sem compromissos. A única preocupação era relaxar, ser feliz e fazer os que estão à sua volta felizes também.

Interessante como se encara a rotina. Existe certo peso, um agir sem prazer, uma vontade de não voltar. Enfim, o coração aperta e a gente sente uma vontade de parar enorme.

Ou será que fazemos as coisas da forma errada? Falta um olhar mais completo para as tarefas desempenhadas durante a semana. Falta também o reconhecimento da bênção que é estar inserido no processo produtivo.

Gosto de minha vida. Gosta de meu trabalho. Gosto de minha família e meus amigos. É tão bom andar pela cidade em que se vive e reconhecer uma identificação, que não sou uma pessoa sem rosto. Gosto de sonhar e realizar.

Acima de tudo tenho fé, que me dá força. Procuro alimentá-la. Sei que é pequena, mas ela faz toda diferença em minha vida. A missa da qual participo no fim de semana, principalmente a Eucaristia me dá força e ânimo para continuar. Vem ao coração a certeza que nada é fácil, mas que nisto reside o sabor das vitórias.

Fim de domingo... Um novo começo que é bênção, que é caminho, novas esperanças que se renovam juntamente com o amanhecer.

Uma semana abençoada para todos!

6.10.07

É assim que sou.


Maria Cristina Moreira Safadi


Já se tornou um hábito. Muito bom, por sinal. Depois de um dia inteirinho, em que vivi, tive meus momentos de total alegria e outros de certa melancolia. Mas sempre avaliado, no final. Meu blog então se apresenta como minha página em branco, registrando o que vai em minha alma. Mais um dia vivido, que ficou para trás, mas não abandonado. Fez mais uma etapa de minha história. E como são importantes aqueles momentos, simples, de alegria pura, sem grandes pretensões.

Penso no que há por vir. Penso no que ficou para trás. Tantas saudades, o coração humano é capaz de sentir. Uma simples canção e vêm à tona vivências que nos trazem a vontade de continuar, mas também de revivê-las. Acontece muito, comigo ao menos, de lembrar de coisas que nem foram tão boas assim. Mas, dão saudades.

Interessante... Às vezes me pego a pensar. E a saudade vem, de simples sensação. Um jeito jovem de reagir, de olhar para um dia que apenas começa, da vitalidade com que se exercia tantas tarefas, a disposição de sempre estar aproveitando qualquer oportunidade que surja.

Mas vem à lembrança também, de uma série de compromissos e a obrigação de responder positivamente às solicitações que o mundo lhe faz. Nisto, estou mais feliz. Não me importo mais com opiniões. Sigo simplesmente minha vida. E é tão bom. Esta liberdade, esta sensação de saber o que fazer, me faz muito bem.

E assim, vou caminhando feliz a maior parte do tempo. Não sinto aquela felicidade sonhada. Mas quem a tem? Não se pode ser feliz num mundo de injustiças. Isto é bem claro para mim. Mas esta sensação de alegria, já é um bom começo.

Quero estar bem, quero passar por tristezas sem ignorá-las ou delas fugir. Fazem parte de minha vida. Vivê-las com profundeza, mas sem me deixar engolir pelas ondas de tristeza.

É assim que sou.